THOUSANDS OF FREE BLOGGER TEMPLATES
Mostrar mensagens com a etiqueta História e cultura. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta História e cultura. Mostrar todas as mensagens

27 de novembro de 2009

Parábola do samurai

Um samurai grande e forte, de índole violenta, foi procurar um monge pequenino.
- Monge, ensina-me sobre o Céu e o Inferno! - disse numa voz acostumada à obediência imediata.
O monge miudinho olhou para o terrível guerreiro e respondeu com o mais absoluto desprezo:
- Ensinar-te sobre o Céu e o Inferno? Não te poderia ensinar coisa alguma. Tu estás imundo. O teu cheiro é insuportável. A lâmina da tua espada está enferrujada. És uma vergonha, uma humilhação para a classe dos samurais. Desaparece da minha vista! Não consigo suportar a tua presença execrável.
O samurai enfureceu-se. Estremecendo de ódio, o sangue subiu-lhe ao rosto e ele mal conseguia balbuciar uma palavra de tanta raiva. Empunhou a espada, ergueu-a sobre a cabeça e preparou-se para decapitar o monge.
- Isto é o Inferno - disse o monge mansamente.
O samurai ficou pasmado. A compaixão e absoluta dedicação daquele pequeno homem, oferecendo a sua própria vida para lhe ensinar o que é o Inferno! O guerreiro foi lentamente baixando a espada, cheio de gratidão, subitamente pacificado.
- E isto é o Céu - completou o monge, com serenidade.

História zen budista


Foi por acaso que li esta história e logo achei que não podia passar despercebida. Não é só por, ultimamente, estar a ouvir falar bastante do Budismo no Mestrado, mas a verdade é que me identifico em grande parte com os ensinamentos desta filosofia de carácter espiritual.

E, como não podia deixar de ser, há uma lição a retirar deste pequeno texto.


26 de fevereiro de 2007

Tantas coisas se passaram enquanto não vim cá fazer um post... O aniversário do blog, mais de 1000 visitas... Mas também sou sincero, chegar a casa depois de um dia cansativo não me deixa grande espaço para a imaginação. Já aos fins de semana a cabeça não dá para muito, e justamente quando queria fazer um post novo tive complicações com o login, mas agora já cá estou de volta =P
Como muitos de vocês sabem existem 7 maravilhas do mundo ( para grande espanto meu a Twinny não fazia ideia de que existiam...shame on you Twinny!) e como também alguns de vocês já devem ter ouvido, novos edificios/criações/qualquer coisa que lhes queiram chamar, vão ser postos a votos para eleger as novas 7 maravilhas do mundo!
Trago hoje aqui ao Anime.net uma pequena biografia de um dos edificios que faz parte da lista, e que espero que ganhe o seu lugar na História também como uma das grandes maravilhas!

O templo de Kiyomizu-dera

Para entender ao certo o que é o templo Kiyomizu-dera temos de olhar para o lugar onde se situa e a religião que o rodeia:

O País
O templo situa-se no Japão, onde a religião predominante é o Budismo, e está ligado à seita Hosso, que é uma das mais antigas seitas budistas japonesas.
O Japão é um país formado por um arquipélago e situa-se dentro da zona de clima temperado a leste da costa leste da Ásia, e o seu nome “Japão” significa literalmente “origem do sol”, ou “terra do sol nascente”. Compreende quatro grandes ilhas e mais de três mil ilhas menores, espalhadas entre o mar de Okhotsk a norte e o oceano pacífico a leste e a sul, e o mar do Japão a oeste.
A sua capital é Tóquio, que tem a maior concentração urbana do mundo.

O templo
Fundado em 780 foi em 1994 considerado pela UNESCO como Herança Cultural Mundial! Kiyomizu significa literalmente “água pura” e situa-se a leste de Kyoto (Capital do Japão e residência do imperador de 794 até 1868) e oferece uma magnífica vista da cidade. Por baixo do seu famoso terraço de madeira existe a cascata Otowa-no-taki, onde três canais de água se juntam numa pequena lagoa, cujas águas acredita-se terem poderes curativos, e delas provém o nome do templo. Por detrás das suas muralhas encontra-se um altar dedicado a Okuninushino-Mikoto, uma deusa do amor, e em frente ao altar encontram-se duas pedras afastadas 18 metros uma da outra, que proporcionam sorte na vida amorosa a quem consiga ir de uma até á outra de olhos fechados.
Parte do divertimento de visitar Kiyomizu-dera é ir do centro movimentado de Higashiyama até ao templo, onde o passado e o presente se juntam num só.
A parte mais notável de Kiyomizu-dera é a sua enorme varanda, que com centenas de pilares e virada para uma colina, proporciona uma magnifica visão da cidade de Higashiyama. A expressão “saltar da varanda de Kiyomizu-dera” remonta ao periodo Edo (periodo entre 1603 e 1867 é conhecido como o inicio da era moderna japonesa), e diz a tradição que quem saltasse da varanda do templo e sobrevivesse os seus desejos seriam realizados.

Muitos desejos devem ter assim sido realizados, pois foram registados mais de 234 saltos durante o período Edo, sendo que apenas 14.6% resultaram em fatalidades. Com 13 metros de altura, altura impressionante para um edifício de madeira, os sobreviventes (85.6%) aterravam em cima de uma vasta vegetação luxuriante, que com sorte acabava por amortecer a queda. Esta prática está actualmente proibida.
Kiyomizu-dera também tem todas características de um templo moderno, onde se podem encontrar talismãs de boa sorte, incenso e O-mikuji (pequenos papéis que se acredita preverem o futuro, e que vão desde a “grande sorte” até “grande doença”).

A História
À mais de 1200 anos atrás um monge de nome Enchin teve uma visão em que deveria de encontrar a nascente do rio Yodo. Acabou por a encontrar no meio do monte Otowa e recebeu de um velho praticante de Gyoei um tronco que continha o espirito de Kannon Bosatsu (ser de sabedoria elevada que estava ligado á caridade). Ao esculpir o tronco na forma de Kannon e guardando-o numa pequena cabana deu inicio ao Templo de Kiyomizu-dera.

30 de dezembro de 2006

Shogatsu

Shogatsu
A Equipa do Anime.net espera que todos tenham tido um óptimo dia de Natal, recheado de alegria, doces e anime. Agora que já passou, as atenções concentram-se no Dia de Ano Novo, que está aí mesmo à porta. Por isso, este post dedica-se, exclusivamente, a uma introdução ao shogatsu (Ano Novo no Japão).
A preparação para esta época festiva tem início a meio do mês de Dezembro, com as pessoas a escrever os postais de Ano Novo, que depois serão enviados aos colegas, amigos e familiares. Parece inacreditável, mas é um facto que as pessoas, às quais é enviado um postal, o recebem precisamente no dia 1, daí alguns estudantes ajudarem no Serviço responsável pela entrega, num trabalho em part-time.
Na verdade, apesar do dia oficial ser dia 1, os japoneses vivem o Ano Novo como sendo uma época que começa dia 31 de Dezembro e termina no dia 3 de Janeiro. Para eles, o dia 1 é o feriado mais importante do ano, apesar de muitas lojas estarem fechadas até dia 3. Nesse dia, tudo tem que estar limpo (os templos, as casas e as roupas que vestem), a família tem que estar reunida e viver momentos de alegria, sem stress. Cada ano é visto como algo isolado, independente dos outros, sendo este um dos motivos que leva os japoneses a querer começar o ano da melhor maneira possível.
Na véspera, come-se toshikoshi soba (massa de trigo) que simboliza longevidade e prosperidade, e assiste-se ao programa televisivo Kohaku uta gassen, no qual cantores famosos de música pop japonesa e do estilo enka (música da geração anterior, cujos temas são a nostalgia e o amor infeliz) actuam.
Faz parte da tradição visitar um templo, sendo o momento da passagem do ano aquele que reúne mais pessoas para o ritual. À meia-noite, os sinos dos templos budistas começam a tocar. Nos templos, os japoneses atiram moedas e notas para os degraus, como sinal de oferta. Batem as palmas duas vezes (para invocar os deuses), fazem uma pequena vénia e rezam, pedindo um desejo. De seguida, aqueles que procuram saber a sorte que o novo ano lhes reserva, vão a uma das tendas onde está uma donzela responsável pelo templo, vestida com um quimono branco, à sua espera. Pagam uma pequena soma de dinheiro e, à sua frente, a donzela abana uma caixa cheia de paus de bambu numerados, até que saia um deles pelo orifício do topo. Depois entrega ao visitante um papel com o seu número da sorte e a correspondente significação, que, normalmente, é atado a um tronco de uma árvore perto do templo.
Antes de irem para casa, as pessoas podem comprar um amuleto de boa sorte.
Já de regresso, é comum dar as boas-vindas ao novo ano em casa. Algo curioso que descobri foi que, antes de adormecerem, os japoneses esperam sonhar com o monte Fuji, uma beringela ou um falcão, porque isso significa um bom presságio para o novo ano.
Photobucket - Video and Image Hosting
Photobucket - Video and Image Hosting
Akemashite Omedetou Gozaimasu! (Feliz Ano Novo)

23 de dezembro de 2006

Silent Night

Silent Night

Mudanças no blog! Para se enquadrar perfeitamente nesta época, decidi mudar a música de fundo para Silent Night, conhecida por todos. Já agora, fica aqui a letra da versão japonesa, é só encaixá-la correctamente no ritmo.

Mais uma vez, um Bom Natal para todos.

清し この夜 星は光り
救いの御子(みこ)は 馬槽(まぶね)の中に
眠り給う いと安く
清し この夜 御告(みつ)げ受けし
牧人達は 御子の御前(みまえ)に
ぬかずきぬ かしこみて
清し この夜 御子の笑みに
恵みの御代(みよ)の 朝(あした)の光
輝けり ほがらかに

Kiyoshi kono yoru, hoshi wa hikari,
Sukui no Miko wa, mabune no naka ni,
Nemuri-tamo, ito yasuku.

Kiyoshi kono yoru, mitsuge ukeshi,
Maki-bito tachi wa, Miko no mimae ni,
Nukazukinu, kashikomite.

Kiyoshi kono yoru, Miko no emi ni,
Megumi no miyo no, ashita no hikari,
Kagayakeri, hogarakani.

p.s. - Se quiserem uma versão cantada desta música, peçam, comentando este post, caso estejam interessados na Kiyoshi Kono Yoru de Digimon 02.

22 de dezembro de 2006

O Natal no Japão

O Natal no Japão

No Japão, o Natal é um pouco diferente do que estamos habituados.
Apesar de muitos japoneses não saberem de que trata o Natal nem conhecerem a sua ligação com a religião, a maioria das pessoas segue o Budismo ou o Xintoísmo, o que torna o Natal num acontecimento mais comercial que religioso. Outra diferença entre o nosso Natal e o dos japoneses é o facto de se celebrar mais a véspera que o próprio dia de Natal, realidade exemplificada no 7º parágrafo deste texto.
A partir do final de Novembro, só se ouve músicas de Natal nas lojas e as ruas começam a preencher-se de publicidade relacionada com a temática natalícia, sendo comum haver cartazes sobre determinados restaurantes e hotéis a anunciar jantares e espectáculos especiais, invocando um clima romântico, para a véspera e dia de Natal.
Há dois costumes peculiares do Natal no Japão: o Daiku e o Bolo de Natal. O primeiro está relacionado com a Nonagésima Sinfonia de Beethoven, que é tocada em vários lugares, às vezes acompanhada por coros enormes, sendo já uma tradição; o segundo é considerado uma benção para a indústria de bolos japonesa porque todas as pessoas compram um, sendo uma sobremesa indispensável para e nesta época.
No entanto, por detrás do costume do Bolo de Natal esconde-se uma piada de mau gosto que se resume no seguinte: as pastelarias procuram vender todos os bolos de Natal antes do dia 24. Deste modo, os que sobram são considerados velhos e estando fora da validade. Por causa disto, mulheres com mais de 25 anos muitas vezes são chamadas de bolos de Natal não vendidos.
Falando em mulheres, principalmente para as que são solteiras, é crucial passar a véspera de Natal na companhia de alguém, num lugar especial, sendo também importante o presente que recebem. Resumindo, todo o serão deverá ser romântico e esplendoroso.
Outra característica do Natal no Japão é o facto de, dentro de uma família, serem os pais a dar presentes às crianças e não estas a darem aos pais, pois apenas o Pai Natal traz presentes, por isso, assim que as crianças deixam de acreditar no Pai Natal, deixam de receber presentes.
Uma (ou mais outra) curiosidade está relacionada com a árvore de Natal: não há pinheiros verdadeiros à venda, apesar de praticamente todas as famílias terem uma árvore de Natal artificial.
Ainda assim, o que mais me impressiona é a velocidade a que as iluminações de Natal nas lojas e locais de comércio aumentam anualmente: um missionário no Japão afirmou que, num período de 7 anos, elas aumentaram aproximadamente 1000%, e que ainda era raro ver o interior das casas com este tipo de iluminações.

Este post contém poucos tópicos sobre o tema e admito ter sido esta a primeira vez que pesquisei sobre o Natal no Japão. De qualquer forma, achei ser uma experiência divertida e é por isso que vos incentivo a todos a informar-se sobre esta tradição a la japonesa.

Photobucket - Video and Image Hosting
Bolo de Natal japonês

23 de junho de 2006

Mata ne Samurai Blue!

Ontem, dia 22 de Junho de 2006, foi mais um marco na História do Japão: no 2006 FIFA World Cup, a equipa nipónica perdeu 4-1 em relação ao Brasil, dando como certa a sua saída do campeonato mundial, já que, para passar aos oitavos de final, tinha que, pelo menos, ganhar por 2 golos ao Brasil e depender do resultado do jogo entre a Austrália e a Croácia, no qual esta teria que ganhar ou empatar.
Assim despedimo-nos dos Samurai Blue (o novo slogan da selecção japonesa para a campanha do campeonato mundial) e aproveito, deste modo, para postar sobre o futebol japonês, mais concretamente, sobre a selecção: os Nihon Daihyo (os representantes japoneses), os Daihyo (representantes) ou os Zico Japan (o nome do treinador seguido pelo nome do país).
É a equipa nacional com a melhor classificação na FIFA entre as equipas nacionais asiáticas. O seu maior feito teve lugar nas Olimpíadas de Verão de 1968, na Cidade do México, em que ganhou uma medalha de bronze. Apesar de este acontecimento ter dado um maior reconhecimento ao desporto japonês, a falta de uma liga interna professional foi a razão pela qual o Japão não seria qualificado para os campeonatos mundiais 30 anos mais tarde.
Em 1991, os donos de uma liga semi-professional de futebol japonês (a Japan Soccer League) resolveram desfazê-la e reformá-la como J. League, com o objectivo de aumentar o prestígio do futebol japonês e fortalecer o programa para formar uma equipa nacional. Com uma nova liga em 1993, cresceu o interesse no futebol e numa equipa nacional.
No entanto, na primeira tentativa para se qualificar para o campeonato do mundo com jogadores profissionais, o Japão perdeu a oportunidade, em 1994, quando perdeu contra o Iraque no último jogo para a apuração. Deste modo, só em 1998 é que aparece pela primeira vez num campeonato mundial, tendo perdido os três jogos que davam entrada para os oitavos de final contra a Argentina, Croácia e Jamaica.
Quatro anos mais tarde, o Japão acolheu o 2002 FIFA World Cup juntamente com a Coreia do Sul. Tendo chegado aos oitavos de final, não conseguiram levar a taça para casa.
É um facto que o Japão tem tido um sucesso muito mais considerável no campeonato asiático pois ganharam a taça em três das últimas quatro finais, sendo os seus principais rivais a Coreia do Sul, seguido pelo Irão e depois pela Arábia Saudita.
Foi no dia 8 de Junho de 2005 que o Japão foi qualificado pela terceira vez consecutiva para entrar no campeonato mundial, neste caso, por ter derrotado a Coreia do Norte por 2-0 na Tailândia. Em 2006 estava no grupo F juntamente com a Austrália, Croácia e Brasil no campeonato de 2006, tendo já sido desqualificado (como já tinha referido) depois de ter perdido 3-1 contra a Austrália, empatado com a Croácia e sofrido uma derrota 4-1 contra o Brasil.

Apoiei a selecção japonesa como a minha segunda equipa. E é com a mesma esperança que espero voltar a vê-la em 2010.

3 de abril de 2006

Japão – o nosso abrigo nos dias gelados

É mesmo verdade. Se tivesse possibilidades económicas, não me importava nada de dar um saltinho ao Japão nos dias de Inverno, em que a temperatura máxima nem atinge os 10ºC. Isto porquê?
Na sociedade japonesa, é vulgar encontrar nas casas um kotatsu: uma mesa ligada à corrente eléctrica, encontrando-se, por baixo da sua superfície, um aquecedor. O facto de ser o centro da vida doméstica nos dias de Inverno tem a ver com a inexistência de aquecedores centrais na maioria das casas nipónicas. Além disso, serve tanto para refeições, como para ver televisão e conversar, sempre com as pernas quentinhas.
Para mostrar a importância de um kotatsu no dia-a-dia dos japoneses, posso descrever neste post a história do Kotatsuneko (“O gato Kotatsu”):
O Kotatsuneko é um fantasma gigante de um gato, que, há muito tempo, morreu congelado por ter sido expulso da casa dos seus donos num dia frio de Inverno. O espírito do gato quis vingar-se e jurou amaldiçoar as pessoas que se recusassem dar-lhe abrigo.
Como morreu congelado, sente-se atraído pelo calor. Também se sente atraído pelos kotatsu's porque os seus donos nunca o deixaram aproximar-se de um. Quando descobriu que um kotatsu libertava calor, ficou agradavelmente surpreendido.
O Kotatsuneko é simpático e reservado, e costuma sentar-se debaixo da mesa a beber chá e a petiscar taiyaki’s (panquecas com forma de peixe). Não aborrece ninguém, a não ser que o chateiem primeiro. Sendo um fantasma, tem poderes sobrenaturais incríveis e é imparável quando o irritam.
O motivo por que resolvi escrever sobre este assunto? Achei que pudesse ser um tema interessante para quem gosta da cultura japonesa.
De facto, o kotatsu é um objecto interessante e fora do comum para os ocidentais…